quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Caso 38

Caso 38: "O Selo do Coração" de Fuketsu

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Quando estava hospedado no escritório do governo da Província Ei, Fuketsu

entrou no salão [para pregar] e disse:

"O selo do coração [1] [carimbo] do patriarca [2] assemelha-se à atividade do boi de ferro [3]. Quando ele vai embora, a [impressão do] selo permanece; quando ele fica lá, a [impressão do] selo é reduzida a nada. Se ele não vai embora nem fica, seria direito dar um selo [de aprovação] ou não?"

Em seguida, Elder Rohi veio e disse:

"Eu tenho as atividades do boi de ferro. [No entanto], peço-lhe, Mestre, para não me dar o selo."

Fuketsu disse,

"Estou acostumado a aplainar o grande oceano através da pesca de baleias. Mas, ai de mim, agora encontro em vez disso uma rã contorcendo-se na lama."

Rohi ficou ali pensando.

Fuketsu gritou

"Kaatz!"

e disse:

"Por que você não diz mais nada, Elder?"

Rohi ficou perplexo.

Fuketsu acertou-o com seu bastão e disse:

"Você se lembra do que você disse? Diga algo, eu verificarei isso para você."

Rohi tentou dizer alguma coisa. Fuketsu acertou-o novamente com seu bastão.

O Magistrado disse,

"A Lei de Buda e a lei do Rei são da mesma natureza."

Fuketsu disse,

"Que princípio você vê nelas?"

O Magistrado disse,

"Se você não tomar uma decisão onde uma decisão deve ser tomada, você está convidando a desordem. "

Fuketsu desceu da tribuna.

*

[1]: A forma do coração-mente.

[2]: Bodhidharma.

[3]: Um "boi de ferro" é uma construção enorme que ficava no fundo do

Rio Amarelo. Erguia-se contra a grande corrente grande e protegia a área

de inundação.

Arquivo da Falésia Azul - Casos 36 e 37

Caso 36: Chosa Faz um Piquenique

Um dia, Chosa saiu para uma caminhada nas montanhas.

Quando ele retornou ao portão, o monge chefe disse,

"Onde você esteve, Mestre?"

Chosa disse,

"Eu estava fora, caminhando por aí nas montanhas."

O monge chefe disse,

"Onde você foi?"

Chosa disse,

"Primeiro, fui seguindo a relva perfumada; depois, voltei pelo meio das flores cadentes".

O monge chefe disse,

"Parece muito com um clima de primavera."

Chosa disse,

"É melhor do que o orvalho de outono caindo sobre a flor de lótus."

*

(Setcho comentou: "Sou grato por essa resposta.")

***

Caso 37: "Nem Uma Única Coisa nos Três Mundos", de Banzan

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Banzan, dando instruções, disse: "Nos Três Mundos [1], não há uma única coisa. Onde se deve procurar a mente?"

*

[1]: O Mundo dos desejos, o Mundo dos materiais, e o Mundo dos não-materiais.

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Arquivo da Falésia Azul - Caso 35

Caso 35: "Três Três" de Manjusri

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Manjusri perguntou a Mujaku,

"De onde você veio?"

Mujaku respondeu:

"Do sul." [1]

Manjusri disse,

"Como é mantido o Dharma Budista no Sul?"

Mujaku disse,

"Os monges desta época do Dharma corrompido estão venerando os preceitos

um pouco."

Manjusri disse,

"Quantos monges existem por lá?"

Mujaku disse,

"Trezentos aqui, quinhentos ali."

Mujaku perguntou a Manjusri,

"Como é mantido o Dharma Budista aqui?"

Manjusri disse,

"Mundanos e Santos vivem juntos, dragões e cobras estão misturados uns com os outros."

Mujaku disse,

"Quantos monges existem aqui?"

Manjusri disse,

"Três três antes, três três para trás."

*

[1]: O Sul da China, ou seja, a região de Konan.

***

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Caso 34

Caso 34:  "Não Vagar" de Kyozan

Kyozan perguntou a um monge,

"De onde você veio?"

O monge disse,

"Do Monte Ro." [1]

Kyozan disse,

"Você já esteve no Pico Goroho?" [2]

O monge disse,

"Não, eu nunca estive lá."

Kyozan disse,

"Então você nunca esteve de fato nas montanhas!"

Unmon disse,

"Por causa de muita compaixão estas palavras caíram na relva."

*

[1]: Uma das montanhas mais bonitas e mais famosas do sul da China, com muitos mosteiros Zen.

[2]: O Pico Goroho, traduzido como o Pico dos "Cinco Anciãos", é o pico mais notável do Monte Ro.

***

Arquivo da Falésia Azul - Casos 32 e 33

Caso 32: Jo e a "Essência do Budismo"

Um monge superior Jo perguntou a Rinzai, "Qual é a essência do Budismo?"

Rinzai desceu do seu assento, o agarrou pelo colarinho, deu-lhe um tapa e

empurrou-o para longe. Jo ficou ali como se enraizado ao lugar.

Um monge que estava por perto disse: "Monge superior Jo! Por que você não faz uma profunda reverência?"

Enquanto fazia uma profunda reverência, Jo repentinamente atingiu uma grande iluminação.

***

Case 33: Chinso tem um olho

O Secretário Nacional Chinso foi ver Shifuku. Quando Shifuku o viu chegando, desenhou um círculo. Chinso disse,

"Já é um desvio da essência que seu aluno venha a você afinal. Por que você desenha um círculo também?"

Imediatamente Shifuku fechou a porta de sua sala.

(Setcho disse: "Chinso tem apenas um olho.")

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Caso 31

Caso 31: Mayoku Gira em torno do Estrado do Mestre

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Mayoku, com seu báculo [cajado de ponta encurvada] na mão, veio a Shokei.

Ele andou em volta do estrado de Shokei três vezes, sacudiu o báculo e ficou ali rigidamente ereto.

Shokei disse: "Certo, certo!" (Setcho comenta, "Errado!")

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Mayoku então veio a Nansen. Ele circulou em volta do estrado de Nansen três vezes, sacudiu o báculo e ficou ali rigidamente ereto.

Nansen disse: "Não está certo, não está certo!" (Setcho comenta, "Errado!")

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Então, Mayoku disse: "Mestre Shokei disse: 'Certo, certo!" Por que, Mestre, você

diz: 'Não está certo, não está certo!"?

Nansen disse: "Com Shokei está certo, mas com você não está certo.

Isso não passa de um redemoinho do vento [1]. No final, isso vai perecer."

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[1]: um dos quatro elementos da física chinesa (terra, ar, fogo, vento), o vento é o elemento de movimento.

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Arquivo da Falésia Azul - Casos 29 e 30

Caso 29: Daizui e o "Fogo Kalpa"

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Um monge perguntou a Daizui,

"Quando o grande fogo kalpa for inflamado, o universo inteiro [1] será

destruído. Gostaria de saber se "ele" também será destruído ou não."

Daizui disse,

"Destruído".

O monge disse,

"Se assim for, 'ele' se extinguirá com o outro?" [2]

Daizui disse,

"Se extinguirá com o outro."

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[1] Literalmente: "um bilhão de mundos"

[2] A palavra "outro" significa no caso "o universo".

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Case 30: "Os Rabanetes Gigantes" de Joshu

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Um monge perguntou a Joshu,

"Ouvi dizer que você conheceu pessoalmente Nansen [1]. É verdade ou não?"

Joshu respondeu:

"A província de Chin [2] produz rabanetes gigantes."

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[1] Ou seja, "... que você foi aluno de Nansen."

[2] A província de Chin era famosa por produzir grandes rabanetes. O mosteiro de Joshu também era localizado naquela área.

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Arquivo da Falésia Azul - Casos 26, 27 e 28

Caso 26: Hyakujo sobre o Pico Daiyu

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Um monge perguntou a Hyakujo,

"Qual é o assunto de maravilha extraordinária?"

Hyakujo disse,

"Sentar sozinho sobre o Pico Daiyu [1]!"

O monge fez uma reverência profunda. Então Hyakujo o atingiu.

[1] O nome da montanha onde o mosteiro de Hyakujo estava localizado.

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Case 27: "A exposição completa" de Unmon

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Um monge perguntou a Unmon,

"O que há quando a árvore seca e as folhas caem?"

Unmon respondeu:

"A exposição completa do vento dourado. [1] "

[1] O vento do outono era também chamado de "vento dourado".

***

Caso 28: "O Dharma que nunca foi pregado" de Nansen

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Nansen foi ver Mestre Hyakujo Nehan.

Hyakujo perguntou:

"Existe algum Dharma que os sábios do passado nunca pregaram ao povo?"

Nansen disse,

"Sim".

Hyakujo perguntou:

"O que é este Dharma que nunca foi pregado ao povo?"

Nansen disse,

"Não é a mente, não é Buda, não é coisa."

Hyakujo disse,

"Você realmente pregou assim."

Nansen disse,

"É assim que é comigo. E você, Mestre?"

Hyakujo disse,

"Eu não sou um homem de grande sabedoria. Como vou saber se existe um Dharma que foi pregado ou que nunca foi pregado?"

Nansen disse,

"Eu não entendo."

Hyakujo disse,

"Eu já preguei a ti plenamente."

*

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Casos 24 e 25

Caso 24: Tetsuma, a Vaca



Ryu Tetsuma [1] veio a Isan. Isan disse,

"Velha Vaca, você veio!"

Tetsuma disse,

"Amanhã haverá uma grande festa no Monte Tai [2].

Você irá lá, Mestre?"

Isan deitou-se e espichou-se. Tetsuma partiu imediatamente.



[1] Uma pessoa Zen famosa, que foi uma estudante de Isan. Seu nome significa "Ryu, a mó de ferro."

[2] Mais exatamente: Monte Gotai, que é muito longe na parte norte do país.



Caso 25: O Eremita do Pico de Lótus



O eremita do Pico de Lótus [1] pegou seu cajado e mostrou-o à assembléia,

dizendo: "Quando os antigos [2] chegaram a este ponto, por que não ousaram

permanecer aqui?" A assembléia ficou em silêncio. Ele próprio respondeu em seu lugar, dizendo: "Porque isso não tem poder sobre o Caminho".

Mais uma vez ele disse: "Afinal, como é?" Uma vez mais ele mesmo respondeu

no lugar deles, dizendo: "Com meu cajado sobre meus ombros, e, prestando nenhuma atenção a outras pessoas, eu vou direto aos mil e dez mil picos."



[1] Originalmente "Rengeho." Seu verdadeiro nome era Sho, um neto do Dharma de Unmon Zenji

[2] Os antigos grandes personagens Zen.

Arquivo da Falésia Azul - Caso 23

Caso 23: Hofuku e Chokei vão a um piquenique



Uma vez Hofuku e Chokei foram a um piquenique nas colinas.

Hofuku, apontando com um dedo, disse:

"Aqui é o cume do Pico Myo." [1]

Chokei disse,

"Exatamente. Mas, é lamentável."



(Setcho comentou dizendo:

"Qual é a utilidade de fazer uma excursão com esses companheiros hoje?"

Ele disse novamente,

"Centenas e milhares de anos a partir de agora, eu não digo que não haverá

ninguém semelhante a ele, apenas que haverá muito poucos.")



Mais tarde, eles relataram isso a Kyosei. Kyosei disse,

"Se não fosse pelo Reverendo Son [2], você veria somente esqueletos no campo".



[1] Literalmente: "o Pico da Maravilha".

[2] Nomeadamente, Chokei.

Arquivo da Falésia Azul - Casos 21 e 22

Caso 21: "O Lótus" de Chimon



Um monge perguntou a Chimon,

"O que é quando o lotus ainda não saiu para fora da água?"

Chimon disse,

"Flores de Lótus."

O monge perguntou:

"O que é após o lótus ter saído da água?"

Chimon respondeu:

"Folhas de Lótus."



Caso 22: "A Cobra Venenosa" de Seppo [1]



Seppo, instruindo a assembléia, disse:

"Há uma cobra venenosa no lado sul da montanha. Todos vocês devem olhá-la com atenção!"

Chokei disse,

"Hoje, no salão Zen há muitas pessoas. Elas perderam seu corpo e sua vida."

Um monge contou isso para Gensha, que disse:

"Somente o Irmão mais velho Ryo [2] poderia dizer algo assim. No entanto, eu não falaria assim."

O monge perguntou:

"O que você diria então, Mestre"?

Gensha respondeu:

"Por que tem de ser 'o lado sul da montanha'?"

Unmon jogou seu cajado em frente a Seppo e agiu com medo.



[1]: ver o caso 24 de Shoyoroku (é a mesma história, contada no Livro da Serenidade).

[2]: ou seja, Chokei

Arquivo da Falésia Azul - Casos 19 e 20

Caso 19: Um Dedo de Gutei [1]



A tudo o que ele era questionado sobre o Budismo, Mestre Gutei simplesmente levantava um dedo.



[1]: ver o caso 3 do Mumonkan




Caso 20: Suibi e o Descanso para o Queixo [1]



Ryuge perguntou a Suibi,

"Qual é o significado do Patriarca ter vindo do oeste?"

Suibi disse,

"Traga-me um descanso para o queixo."

Ryuge trouxe um e deu a ele. Suibi pegou-o e bateu-lhe.

Ryuge disse,

"Você pode bater-me como quiser. Afinal não há nenhum significado para o

Patriarca ter vindo do oeste. "



Ryuge também perguntou a Rinzai,

"Qual é o significado do Patriarca ter vindo do oeste?"

Rinzai disse,

"Traga-me uma almofada para sentar."

Ryuge conseguiu uma e deu para Rinzai. Rinzai pegou-a e bateu-lhe. Ryuge disse,

"Você pode bater-me como quiser. Afinal não há nenhum significado para o

Patriarca ter vindo do oeste. "



[1] Literalmente: "tábua Zen" ou seja, uma tábua estreita usada ​​de modo a permitir que alguém durma na posição sentada.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Caso 18

A Lápide do Mestre Nacional



Imperador Shukuso [1] perguntou a Chu, o professor nacional,

"O que você gostaria que eu fizesse depois de cem anos?" [2]

O professor nacional disse,

"Faça uma lápide perfeita [3] para este velho monge."

O imperador disse:

"Gostaria de pedir-lhe, mestre, um desenho."

O professor nacional permaneceu em silêncio por um longo tempo. Então ele disse:

"Você entendeu?"

O imperador disse:

"Eu não entendi nada."

O professor nacional disse,

"Eu tenho um sucessor no Dharma, meu discípulo Tangen, que é bem versado nesse assunto. Permita que ele o visite e pergunte a ele sobre isso."



Depois que o professor nacional faleceu, o imperador chamou e perguntou a Tangen sobre o significado disso. Tangen respondeu:

"O sul do rio, ao norte do lago:

(Setcho comentou: "A única mão não soa sem razão.")

No meio há ouro, que preenche toda a terra.

(Setcho comentou: "Um cajado, recém-cortado da floresta da montanha.")

Sob a árvore sem sombras todas as pessoas estão em um barco;

(Setcho acrescentou: "O mar está calmo, o rio está claro".)

No palácio de cristal não há ninguém que saiba.

(Setcho comentou: "O discurso está terminado".)"



[1] historicamente falando, foi o Imperador Daiso, o filho mais velho e sucessor

de Shukuso.

[2] após sua morte

[3] uma lápide em formato oval, que é feita de uma única peça de pedra.

Era frequentemente construída para monges falecidos.

Arquivo da Falésia Azul - Casos 13, 14, 15, 16 e 17

Caso 13:  "A Taça de Prata" de Haryo [1]



Um monge perguntou a Haryo, "O que é a Seita Deva?"

Haryo disse: "Amontoar neve em uma tigela de prata."



Caso 14: "Pregando Apropriadamente", de Unmon



Um monge perguntou a Unmon,

"Qual é o ensinamento da vida inteira de Shakyamuni?"

Unmon disse,

"Pregar uma [única] coisa." [Em japonês: Tai-issetsu]



Caso 15: "Pregando ao Reverso", de Unmon



Um monge perguntou a Unmon,

"O que é que não é a função da mente em mim, nem uma coisa diante de mim?"

Unmon disse,

"A pregação no sentido inverso." [1]



[1]: Em japonês: Toissetsu



Caso 16: Kyosei e "Furando e Perfurando"



Um monge perguntou a Kyosei,

"Eu, seu aluno, estou furando de dentro da concha.

Imploro-lhe, Mestre, por favor, perfure de fora."

Kyosei disse: "Mas você vai estar vivo ou não?"

O monge disse, "Se eu não estivesse vivo, todas as pessoas ririam."

Kyosei disse: "Seu idiota do mato!"



Caso 17: “Sentar por um longo tempo”, de Kyorin



Um monge perguntou a Kyorin,

"Qual é o sentido do Patriarca ter vindo da direção oeste?"

Kyorin disse,

“Estou cansado de estar sentado por tanto tempo.”

terça-feira, 26 de julho de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Casos 9, 10, 11 e 12

Caso 9: Os Quatro Portões de Joshu



Um monge perguntou a Joshu,

"O que é Joshu?" [1]

Joshu disse:

"Portão leste, portão oeste, portão sul, portão norte."



[1]: O nome do Mestre Zen Joshu é retirado da cidade "Joshu", perto da qual ele ensinava.



Caso 10: "O Idiota" de Bokushu



Bokushu pediu a um monge, "De onde você vem?"

Imediatamente o monge gritou: "Kaatz!"

Bokushu disse: "O velho monge foi repreendido por você com um 'Kaatz'!"

O monge gritou novamente, "Kaatz!"

Bokushu disse: "Depois de três ou quatro gritos de 'Kaatz', então o quê?"

O monge ficou em silêncio.

Bokushu bateu-lhe, dizendo: "Seu idiota!"





Caso 11:  "Os bebedores de Borras" de Obaku



Obaku, instruindo a assembléia, disse:

"Vocês são todos bebedores de borras. Se continuarem em seu Caminho desta maneira, onde estará o "Hoje" [O mundo do nirvana]? Vocês sabem que neste grande império dos Tang não há mestre Zen?"

Agora, um monge se adiantou e disse:

"O que você diria frente ao fato de que em vários lugares há pessoas que aceitam alunos e dirigem suas assembléias?"

Obaku disse,

"Eu não digo que não há Zen; apenas digo que não há nenhum mestre."



Caso 12: "Três libras de cânhamo" de Tozan [1]



Um monge perguntou a Tozan,

"O que é Buda?"

Tozan disse,

"Três libras de cânhamo." [2]




[2]: Em japonês: masagin

Arquivo da Falésia Azul - Casos 5, 6, 7 e 8

Caso 5: "O Grão de Arroz" de Seppo



Seppo, ensinando a assembléia, disse:

"Quando vocês pegam toda a terra em seus dedos, ela é do tamanho de um grão de arroz. Lanço-o a vossos pés. Como em um balde de laca preta, vocês

não o reconhecem mais. Batei o tambor, chamai a todos para procurar por ele!"





Caso 6: "O Bom Dia" de Unmon



Unmon, dando instruções, disse:

"Eu não lhes pergunto sobre antes do décimo-quinto dia; tragam-me uma frase sobre

após o décimo-quinto dia."

Unmon respondeu ele mesmo no lugar dos monges,

"Todo dia é um bom dia."



Caso 7: Eco pergunta sobre Buda



Um monge perguntou a Hogen: "Eu, Eco, pergunto a você, Mestre. O que é Buda?"

Hogen disse: "Você é Eco."



Caso 8:  "As Sobrancelhas" de Suigan



No final do verão [1], Suigan instruiu a assembléia, dizendo:

"Todo o verão tenho pregado a vocês, meus irmãos. Olha aqui, as sobrancelhas de Suigan ainda estão aí? [2]"

Hofuku disse,

"O coração do ladrão está aterrorizado!"

Chokei disse,

"Elas estão bem crescidas!"

Unmon disse,

"Kan" [3]



[1]: Verão - sesshin para 3 meses.

[2]: Segundo a crença popular um grande criminoso deve perder as sobrancelhas

como um sinal de sua iminente punição no inferno.

[3]: Literalmente kan significa "barreira" (cf. Mumonkan). Naqueles dias, esta palavra  chinesa significava também coloquialmente, "Cuidado!" ou "Aí!"

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Arquivo da Falésia Azul - Caso 4

Tokusan com Sua Trouxa



Tokusan chegou a Isan. Carregando sua trouxa debaixo do braço, ele adentrou o salão do Dharma. Atravessou-o de leste a oeste e de oeste a leste.

Olhando ao redor ele disse: "Nenhum, nenhum!" E saiu.

(Setcho [1] comentou: "Apoiado")



Mas quando chegou ao portão de entrada, Tokusan disse: "Ainda assim, eu não deveria ser tão apressado." Então, ele vestiu-se formalmente e entrou novamente para encontrar Isan. Quando Isan sentou-se em seu lugar, Tokusan ergueu sua esteira de tecido em uma forma cerimonial e disse:

"Mestre!" Isan estava prestes a pegar um utensílio de cozinha [2], quando de repente Tokusan gritou:

"Kaatz!" Então ele sacudiu as mangas (da camisa) e saiu.

(Setcho comentou: "Apoiado!")



Virando as costas ao salão do Dharma, Tokusan calçou suas sandálias de palha e partiu.

À noite, Isan perguntou ao monge chefe: "Onde está o recém-chegado que estava aqui há um momento?" O monge chefe disse,"Ele logo virou as costas ao salão do Dharma, calçou suas sandálias de palha e foi embora." Isan disse: "Um dia esse sujeito vai construir uma cabana de palha em cima de um pico solitário, e repreender os budas e insultar os patriarcas. "

(Setcho comentou: "Empilhando geada sobre a neve.")



[1]: Setcho Zenji é o compilador do Hekiganroku.

[2]: Em japonês: hossu, isto é, um bastão com um batedor de claras na ponta.

Arquivo da Falésia Azul - Caso 3

Mestre Ba Está Doente



O Grande Mestre Ba estava seriamente doente. O sumo sacerdote do templo perguntou-lhe:

"Mestre, como você está se sentindo atualmente?"

O Grande Mestre disse:

"Buda Rosto-do-Sol, Buda Rosto-da-Lua" [1].



[1]: O "Buda Rosto-do-Sol" é um buda que dizem ter uma vida de

1800 anos, enquanto o "Buda Rosto-da-Lua" vive apenas 24 horas.

Arquivo da Falésia Azul: Caso 2

O "Caminho Supremo" de Joshu



Joshu, instruindo a assembléia, disse:

"O Caminho Supremo não é difícil; ele simplesmente desgosta escolher [1] Mas mesmo se uma palavra é pronunciada, já é uma ação de 'escolher' ou de aderir à 'clareza'. Este velho monge [2] não habita a clareza. Vocês monges querem agarrar firmemente a "clareza" ou não?"

Naquele momento, um monge perguntou:

"Você diz que não reside na clareza. Se assim for, o que há para se agarrar firmemente?" "

Joshu disse:

"Eu também não sei."

O monge disse,

"Se você, Mestre, não sabe, por que você diz que não habita a clareza?"

Joshu disse:

"Você já perguntou amplamente. Cumprimente e retire-se."



[1]: Cf. o início do Shinjinmei (Acreditando na Mente; Poema composto

pelo terceiro Patriarca Sosan):

"O Caminho Supremo não é difícil;

ele simplesmente desgosta escolher.

Somente se não houver amor ou ódio,

tudo é completa clareza. "


[2]: "este velho monge", ou seja: "Eu".

terça-feira, 31 de maio de 2011

Hekiganroku - Arquivo da Falésia Azul

O Arquivo da Falésia Azul (Blue Cliff Record, em inglês; em chinês《碧巖錄》 Bìyán Lù; e em japanês,  Hekiganroku (碧巌録?) é um conjunto de koans Zen Budistas que foram compilados na China durante a dinastia Song em 1125 e depois expandido até sua forma atual pelo mestre Zen Yuanwu Keqin  (1063 – 1135).

O volume inclui as anotações e comentários de Yuanwu sobre os 100 koans compilados por  Xuedou Zhongxian  (980 – 1052). Xuedou selecionou 82 desses koans do Jingde Chuandeng Lu  (Arquivo de Transmissão da Lámpada da Era Jingde), e os outros ele retirou do Yunmen Guanglu  (Arquivo Extenso de  Yunmen Wenyan; 864 – 949).

Informações retiradas desta página da Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_Cliff_Record

; acesse a página para mais informações.

Como foi feito na tradição Zen, os koans serão traduzidos e publicados como estão (sem comentários ou adições, para que o leitor ou meditante não perca tempo se enrolando), a partir das seguintes fontes, publicadas na internet:

http://perso.ens-lyon.fr/eric.boix/Koan/Hekiganroku/index.html

http://www.openbuddha.com/resources/koans/blue-cliff-record/

http://perso.ens-lyon.fr/eric.boix/Koan/Hekiganroku/Hekigan-Eg.pdf

O material aqui publicado está disponível para leitura de todos. Nosso trabalho [da Equipe Vencer o Medo] foi de traduizir e publicar os koans, em prol da difusão dessa sabedoria ancestral do Oriente (como este material está em domínio público há séculos, não há problema com relação a direito autoral; de qualquer modo, gostaríamos de indicar o ou os autores da tradução para o inglês, mas, infelizmente, os sites não os indicam, ou não conseguimos identificá-los; pelo menos estão aí citadas as páginas em caso de necessidade de consulta por parte dos leitores).

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Caso 1: O “Claro e Vazio” de Bodhidharma


O Imperador Bu de Ryo [1] perguntou ao Grande Mestre Bodhidharma,
"Qual é o mais alto sentido da realidade sagrada?"
Bodhidharma respondeu:
"Claro e vazio, sem santidade".
O imperador disse:
"Quem é você na minha frente?"
Bodhidharma disse,
"Eu não sei."
O imperador não se igualou a ele.
Finalmente, Bodhidharma cruzou o Rio Yangtse e foi para o reino de Gi.
Mais tarde, o imperador pediu a Shiko sua opinião.  Shiko disse,
"Sua Majestade sabe quem é esse homem?"
O imperador disse:
"Eu não sei."
Shiko disse,
"Ele é o Avalokitesvara Mahasattwa transmitindo o selo da Mente de Buddha".
O imperador lamentou e queria mandar um emissário para  convidar Bodhidharma
a voltar.  Shiko disse,
"Sua Majestade, não pretenda enviar um emissário para trazê-lo de volta.  Mesmo se
todo o povo desta terra fosse atrás dele, ele não retornaria."

*

[1]: O Imperador Bu reinou sobre a terra de Ryo entre 502 - 509

***

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Exortações Zen de Mumon

A obediência a regras e preceitos é uma armadilha sem corda. Dar licença aos desejos é o caminho de hereges e demônios.  Escape para o silêncio é falso Zen.  Ignorar o  karma da causa é cair em um poço.  Constante  vigília do absoluto é usar canga e correntes. Pense no bem e no mal para habitar o céu e o inferno.  Fidelidade dogmática a Buda e Dharma é aprisionamento entre duas montanhas de ferro.  Concentrar-se nas quebras de concentração é desperdício de energia.  Apenas ficar sentado meditando para sempre é estar morto. Continuar é contra a verdade. Recuar é contra o princípio.  Não avançar nem recuar é como  ser um cadáver respirando.  Diga-me, o que você fará?  Trabalhe com grande persistência para despertar nesta vida! Pare de chafurdar na tristeza.

O epílogo do Portal Sem Porta, por Mumon

As palavras e as ações deixadas por Buda e pelos patriarcas nesses quarenta e oito Koans são tão precisas quanto  leis e decisões judiciais, e nada supérfluo está contido neles.  Eles viram o cérebro do monge estudante de cabeça para baixo e botam seus globos oculares para fora.  Eles estão aqui para que cada um de vocês compreenda imediatamente a verdade e não tente obtê-la indiretamente de outros.  Caso haja quem se aproprie de tudo completamente, essa pessoa  agarraria o verdadeiro significado de todos os quarenta e oito Koans, mesmo se ouvisse uma pequena parte deles.  Para essa pessoa,  não há porta para a iluminação, nem passos para a busca.  Ele poderá ultrapassar o portal sem se preocupar com seus guardadores, como Gensho disse, "É o que é sem portal  que é toda entrada à realização, e ser sem objetivo é o objetivo genuíno do mestre." Haku-un também disse, "Por que alguém não consegue passar por este portal, embora seja tão óbvio?" Tais estórias são realmente tão sem sentido quanto misturar leite com barro vermelho.  Se você conseguir passar por esses Quarenta e oito Koans através do Portal sem Porta, você vai pisar  em mim, Mumon, sob seus pés.  Se você não conseguir passar através do Portal sem Porta, você se trairá.  Como se diz muitas vezes, é fácil iluminar a compreensão de que  tudo é vazio, mas é realmente difícil elucidar o conhecimento das distinções.  Se você for capaz  de edificar a sabedoria das diferenças, o universo estará  bem em paz.

O primeiro ano de Jotei (1228)
Cinco dias antes do final do da sessão de verão
Respeitosamente escrito pelo Monge Mumon Ekai,
Oitavo descendente de Yogi

***

Para saber mais sobre Mumon, leia a introdução ao Portal Sem Porta.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O quadragésimo-oitavo koan do Portal Sem Porta

Caso  48:  A estrada única de Kempo

Um  monge  estudante  perguntou ao Mestre Kempo,  "Entendo que  todos os  Budas  de  todo o universo  percorrem a estrada única para o Nirvana.  Onde  está  essa  estrada  única”?
Kempo  ergueu sua  bengala, desenhou uma “linha” e  disse, "Aqui está ela."
Mais tarde,  esse  monge  foi até Umon para  fazer a mesma pergunta.  Umon,  girando seu leque,  disse, "Este leque vai chegar  ao  trigésimo-terceiro céu  e acertar o nariz  de Sakra  Devendra, a  maior  divindade  dos céus.  É como  a  carpa  gigante  do  Mar Oriental  derrubando com sua  cauda  uma nuvem de  chuva  para  que  a  chuva possa cair. "

Comentários de Mumon:
Um  mestre  caminha  no  oceano  profundo  e  levanta  poeira.  O outro,  de pé  sobre o topo de uma alta montanha,  preenche  o  céu  com  ondas brancas.  Um  mantém  o  ponto, enquanto  o  outro libera  tudo, em conjunto  cada um apoia  o  ensinamento  profundo  com  uma mão.  Kempo  e  Umon  são  perigosos, como  dois  camelos igualmente  poderosos colidindo.  Ninguém  no  mundo se  iguala a  eles. Visto  da  verdade,  porém,  mesmo  Kempo  e  Umon  não  sabiam  onde essa estrada realmente está.

Eles  atingem  a meta  antes  de dar  o primeiro passo.
Eles completam  a fala antes que  suas  línguas  se movam.
Mesmo  que eles tenham tido  presciência  muito tempo antes, a  origem  da  estrada jaz  muito adiante de  sua clarividência.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O quadragésimo-sétimo koan do Portal Sem Porta

Caso 47:  As três barreiras de Tosotsu

Mestre Tosotsu, estabelecendo as três barreiras, sempre  testava o buscador da Via:
"Para buscar a Via, o estudante de Zen tenta compreender sua própria natureza e ser iluminado."
"Agora, onde está sua verdadeira natureza?"
Em segundo lugar,
"Uma vez tendo compreendido sua própria natureza, a pessoa está livre de nascimento e morte.  Se, então, os olhos caíram mortos, como se pode estar livre da vida?"
Em terceiro lugar,
"Estando livre de nascimento e morte, de imediato se sabe  aonde ir após a morte."
"Estando morto e o corpo disperso nos quatro elementos, onde, então, se vai?"

Comentários de Mumon:
Quem conseguir passar por essas três barreiras será um mestre em qualquer lugar.  Aconteça o que acontecer, essa pessoa deve ser capaz de tornar-se o fundador do Zen.  Caso não se seja ainda capaz de responder a estas três questões, a pessoa deve diligentemente ruminá-las bem para finalmente compreendê-las. Refeições humildes enchem o estômago e, mastigando-as bem,  nunca se vai morrer de fome.

Realizar instantaneamente é ver um tempo infinito.
Tempo infinito é este exato momento.
Se alguém vir através do pensamento deste exato momento,
Neste exato momento, poderá ver através de quem vê  completamente.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Quadragésimo-sexto koan do Portal Sem Porta

Caso 46: Continue além do topo do poste de 100 pés

Mestre  Sekiso  disse: "Você  está  no  topo  do  mastro de 100 pés de altura.  Como você poderá dar  um  passo a mais?"  Outro Mestre  Zen  dos Tempos Antigos disse: "Aquele  que se senta  no topo  do  mastro  de 100 pés  não  alcançou a verdadeira iluminação ainda. Dê um outro passo além  do  topo  do  poste  e  jogue seu próprio corpo  em 100.000  universos."

Comentários de Mumon:
Caso haja  qualquer  um que seja capaz  de  avançar  a partir  do  topo  do mastro  de 100 pés  e lançar-se de corpo inteiro dentro de  todo o universo,  esta  pessoa  poderá  chamar-se de  Buda.  No entanto, como se pode  avançar  a partir do topo  do  mastro  de 100 pés?  Conhece-te!

Caso alguém se contente em estar no topo do mastro,
Irá  perder a visão de seu  terceiro olho,
E   até interpretará mal  as marcas  na escala.
Caso  alguém  se atire  e seja capaz  de  renunciar à sua vida,
Como  um  cego  conduzindo  todas as outras pessoas  cegas,
Essa pessoa estará em absoluta liberdade  (desapegado dos olhos).

Quadragésimo-quinto koan do Portal Sem Porta

Caso 45: Quem é Ele?

A  Tozan,  Mestre  Hoen,  o  Quinto Patriarca,  disse,  "Shakyamuni  e Maitreya Boddhisattva , ambos  são  Seus servos.  Bem, diga-me: Quem  é  Ele?"

Comentários de  Mumon :
Caso você  seja  capaz  de  perceber claramente  quem ele  é,  seria como  se  você  encontrasse seu  próprio pai na encruzilhada,  como você não tem  de  perguntar ao seu  próprio pai  quem ele  é.

Não  use o  arco e  flecha de outrem.
Não  cavalgue o cavalo  de outra pessoa.
Não  discuta  as falhas de outro.
Não  se meta nos  negócios  de uma outra pessoa.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O quadragésimo-quarto koan do Portal Sem Porta

Caso  44: O cajado de Bashô

Mestre  Bashô  disse  aos seus discípulos:  "Se  você tiver  o  cajado, eu o darei  a você.  Se você  não tiver o cajado,  eu o  tirarei  de você!"

Comentários de  Mumon:
Esse  cajado  lhe ajuda a  atravessar o  rio  com a  ponte  quebrada.  O cajado leva  você de volta  para  sua aldeia  no meio de uma noite  sem lua e  escura. Se você o  chamar  de cajado, então  você  irá direto  para  o inferno como uma  flecha.

Se  algo é  profundo ou  superficial,
Está  na  palma  da  mão  que  segura  o  cajado.
O cajado suporta o  céu  e  mantém  a  terra,
Onde quer que o cajado vá livremente,
Ele  propagará  o verdadeiro ensinamento.

O quadragésimo-terceiro koan do Portal Sem Porta

Caso 43: A espátula de bambu de Shuzan

Mestre Shuzan estendeu a espátula de bambu e perguntou: "Se  você chamar isso uma espátula de bambu, você ofende (o princípio do Zen).  Se você chamar não chamar isso de espátula de bambu,
você viola a lei (do bom senso).  O que vocês todos  chamarão isso?"

Comentários de Mumon:
Se você chamasse isso uma espátula de bambu, você estaria ofendendo. Se não chamasse de espátula de bambu, você trairia a lei.  Falar não vai ser o suficiente, e nenhuma palavra vai ser de alguma utilidade também. Fale rápido, fale rápido.!"

Mostrando a espátula de bambu,
Shuzan exigiu a ordem de vida ou morte.
Ser colocado frente à ofensa, ou à traição,
Mesmo Buda e Patriarcas implorariam por suas vidas.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O quadragésimo-segundo koan do Portal Sem Porta

Caso 42: Uma mulher sai da meditação

Há muito tempo, o mais sábio   Bodhisattva,  Manjusri, que deve ser o próximo na ordem antes do Buda Shakyamuni, percebeu que o encontro dos Budas estava encerrado  e que  cada um  estava voltando  para  sua terra. Observando  uma  mulher  ainda  em meditação profunda  perto de Shakyamuni,  Manjusri  corretamente  curvou-se e  perguntou  ao Buda Shakyamuni,  "Essa mulher  foi capaz  de  alcançar o estado de  Iluminação  e por que eu  não?" Sakyamuni  respondeu, "Traga-a do  Samadhi  e pergunte  a ela você mesmo!" Manjusri  rodeou a mulher  três vezes  e  estalou  os dedos  e no entanto ela  estava   na meditação sem se perturbar.  Assim  Manjusri  elevou-a alto em sua mão e  levou-a ao primeiro  dos  três  céus  meditativos (totalmente  desvinculada de qualquer  desejo), e  esgotou  todos seus poderes místicos  em vão  (para  acordá-la).  Observando isso, Shakyamuni  disse,  "Mesmo cem mil  Manjusris  não  poderiam acordá-la  do  Samadhi.  Ali reside  Mo-myo (Avidya)  Boddhisattva,  o mais baixo de  todos,  abaixo  deste lugar além de duzentos  milhões de terras.  Só ele  pode  tirá-la de  sua  meditação profunda." Mal Shakyamuni  tinha falado e  o Boddhisattva  brotou  da terra, curvou-se e prestou sua  homenagem  a  Shakyamuni.  Por ordem de Shakyamuni,  Mo-myo  Boddhisattva  estalou os dedos. Instantaneamente, a  mulher  saiu  da  meditação  e se levantou.

Comentários  de Mumon:
O  velhote,  Shakyamuni,  é  realmente  extraordinário, capaz de produzir  um teatro no campo.  Agora então,  me diga: "Por que  Manjusri,  o maior  e  mais sábio  dos  sete Boddhisattva,  não conseguiu  tirá-la  da meditação?  Por que Mo-myo Boddhisattva,  o mais baixo de  todos, foi capaz  de  fazê-lo?  Se  você  obtiver e viver  o completo  entendimento  disto,  você atingirá  o grande samadi  deste mundo material  da ilusão  e do apego."

Seja  o único que poderia  tirá-la  da  meditação, ou  o  outro  que  não podia,
Ambos  obtiveram  a liberdade.
Um usava  a  máscara  de deus,  o  outro,  uma máscara de  diabo naquele teatro,
Mesmo a falha  é  na verdade  artística.

O quadragésimo-primeiro koan do Portal Sem Porta

Caso 41: A paz de espírito de Bodhidharma

Bodhidharma estava sentado de frente para o muro de pedra.  O Segundo Patriarca do C'han (Zen) chinês, Suika, ficou longo tempo na espessa neve.  Finalmente, ele cortou seu próprio braço e o apresentou a Bodhidharma.  Ele disse, "Seu aluno não consegue pacificar a mente.  Você, o Primeiro Patriarca, por favor, dê-me paz de espírito!" O Primeiro Patriarca respondeu:
"Traga essa mente, eu a acalmrei!" O Segundo Patriarca disse, "Eu procuro por ela em todos os lugares, mas não consigo encontrá-la!" Bodhidharma respondeu: "Eu já a pacifiquei para você!"

Comentários de Mumon:
Esse sujeito velho desdentado da Índia orgulhosamente viajou dez mil li (medida chinesa equivalente a 500 metros; milha chinesa) por sobre o oceano (até a China).  Isto foi de fato como se ele deliberadamente levantasse ondas onde não havia nenhuma onda. Por fim, ele conseguiu apenas um discípulo, que foi mutilado por  cortar seu próprio braço.  Meu Deus, ele era um tolo mesmo.

O Primeiro Patriarca da Índia ensinava retamente,
Uma série de problemas iniciou-se dele.
O que perturbou o mundo calmo,
Boddhidharma é, você mesmo!

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

Quadragésimo koan do Portal Sem Porta

Caso 40: Chutando a jarra de água potável

Durante sua  estada  com o Mestre  Hyakujo,  Isan  era  um monge cozinheiro.  Como  Mestre  Hyakujo  queria  enviar  um monge para fundar o novo mosteiro  chamado   Grande Monte Tai-I,  Mestre  Hyakujo disse  ao  monge-chefe  e  a todos os  outros monges  que ele  iria escolher  aquele que se monstrasse  como  o melhor entre eles.  Então  Mestre  Hyakujo  trouxe  uma  jarra  de água potável,  colocou-a no chão e disse,  "Você não  pode chamá-la de jarra  de água.  Então, como você vai  chamá-la?" O monge  chefe disse, "Não se  pode  chamá-la de vara  de madeira."  Então, quando Mestre  Hyakujo  virou-se para  Isan,  Isan  chutou  a jarra  e afastou-se.  Mestre  Hyakujo  riu e  disse, "O  monge chefe perdeu  para  Isan." Ele tornou Isan  o fundador  do Grande Mosteiro do Monte Tai-I.

Comentários  de Mumon:
Mestre  Isan  teve  rara coragem  de fato,  mas  ele  não  podia escapar da armadilha  de Mestre Hyakujo.  Após a análise do resultado,  Isan  deve ter preferido assumir um fardo maior em vez de um trabalho mais fácil.  Por quê?  Olha,  Isan  tirou  a faixa de cozinheiro da cabeça e  colocou-se  “algemas  de aço”  (do  fundador  do mosteiro).

Jogando  fora  coador e  colher  de cozinha,
Isan  chuta  a  jarra e  resolve  os conflitos.
Sem ser impedido  por  obstáculos  múltiplos,
Ele  dá  um  chute  no dedo do pé,
Até  Buda  torna-se  múltiplo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O trigésimo-nono koan do Portal Sem Porta

Caso 39: Ummon e a armadilha  das palavras

Assim  que um  monge  afirmou  a Ummon, "O  esplendor  do  Buda calmamente  e  sem descanso  ilumina  todo o universo",  Ummon  lhe perguntou, "Estas  que  você está  recitando  não são as  palavras de Chosetzu  Shusai?" O  monge  respondeu, "Sim,  elas  são."  Ummon disse: "Você está  preso  em  palavras!"  Depois,  Shishin  trouxe  o assunto  mais uma vez  e  disse: "Diga-me, como  o monge ficou preso  nas palavras?"

Comentários  de Mumon:
Se você  é capaz  de  compreender  as realizações  inacessíveis de  Un-mon  e  seguir a deturpação  do  monge  (de  ficar preso  em palavras),  você  será  o  líder  dos  humanos  e  dos Devas.  Se não, você  não pode nem mesmo  salvar  a si mesmo.

Um  peixe  encontra  o anzol  em um  arroio rápido,
Sendo demasiado  guloso pela isca, o peixe  quer  morder.
Uma vez que  a boca se abre completamente,
Sua  vida  já está  perdida.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo-oitavo koan do Portal Sem Porta

Caso 38: O búfalo de Goso

Goso  perguntou, "Um búfalo-asiático sai  do  seu"cercado ".  A cabeça,  os chifres,  e as  quatro patas  passam,  mas por que  a cauda não,  também?"

Comentários  de Mumon:
Se você puder  abrir  seu único olho (à  questão)  e  dizer  uma  palavra de despertar,  você  será  capaz  de  retribuir as  Quatro  Obrigações  e ajudar  os Três  Reinos ser salvos.  Se você  ainda não  compreendeu,  dê uma  olhada de perto  na  cauda  e  desperte-se.

Se  o  búfalo  passar,  ele cairá  no  abismo,
Se  ele retornar para dentro do cercado, ele será abatido.
Este pedacinho de uma cauda,
É uma  coisa  estranha  mesmo!

O trigésimo-sétimo koan do Portal Sem Porta

Caso 37: O carvalho de Joshu no jardim

Um monge perguntou a Joshu, “Com que intenção Bodhidharma veio à China?” Joshu respndeu, “O carvalho no jardim da frente.”

Comentários de Mumon:

Se você entender a resposta de Joshu com precisão, não há Buda Shakyamuni antes de você e nem Buda Maitreia depois de você.

Palavras não expressam fato,
Frases não revelam o movimento delicado da mente.
Aquele que aceita palavras está perdido,
Aquele que adere a frases está iludido.

O trigésimo-sexto koan do Portal Sem Porta

Caso 36: Não palavras, não silêncio de Goso

Goso  disse, "Quando  você  encontra um  homem  da Via na estrada, não o cumprimente com  palavras, nem  com o silêncio. Diga-me,  como  você cumprimenta-o?"

Comentários de  Mumon:
Se você puder  responder  Goso  com exatidão,  será  extremamente gratificante.  Se  você não  puder ainda responder  apropriadamente, então  você deve  fazer  o máximo para cuidar tudo.

Encontrando o  homem  da  Via na estrada,
Cumprimentando-o  não com  palavras,  nem  com o silêncio.
Dê-lhe  um direto no queixo,
Então, ele  lhe entenderá imediatamente.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo-quinto koan do Portal Sem Porta

Caso 35:  Duas almas

Goso perguntou a um monge, "Sei, a menina chinesa, que foi separada de sua alma. Qual era Sei real?”

Comentários de Mumon:
Se você obtiver consciência genuína da realidade, você saberá que a alma passa de uma concha a outra como viajantes alojados em uma pousada. Mas se você não tiver obtido a consciência, você não deve correr por aí em confusão quando os quatro elementos estiverem subitamente prontos para se tornarem separados (ou seja, para morrer), como um caranguejo com seus sete ou oito braços e pernas jogado em água fervente. Nunca diga que eu não lhe avisei.

A lua nas nuvens é uma e a mesma,
Vales e montanhas são diversos.
Venturas sobre venturas,
Isto é uma, ou são duas?

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O trigésimo-quarto koan do Portal Sem Porta

Caso 34:  A não-Via de Nansen

Nansen  disse,  "A mente não é  Buda.  O conhecimento não é  a Via."

Comentários de  Mumon:
Ao envelhecer,  Nansen  esqueceu  de se envergonhar.  Com sua boca  fedorenta aberta ele  espalhou  o escândalo  de sua  própria casa  (como o  conhecimento  não é a Via)  aos outros.  No entanto,  poucos  apreciam  sua  dívida para com  ele.

Quando  o  céu  está  claro  o sol aparece,
quando a  chuva  cai,  a  terra  se torna  úmida.
Como  ele explica com todo o coração,
Como  poucos têm  fé  nele e em  suas palavras.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo-terceiro koan do Portal Sem Porta

Caso 33:  Nem a mente nem  Buda

Um  monge perguntou a  Baso, "O que  é o  Buda?"  Baso respondeu, "Não há  mente,  não há  Buda".

Comentários  de  Mumon:
Se  alguém  entender  o que  Baso  disse,  ele  dominou o  Zen.

Se você  encontrar um  mestre  da espada  na  estrada, dê-lhe  a espada.
A menos  que você  encontre  um  poeta  na estrada,  não  ofereça um poema.
Se  você  encontrar  um  homem, diga-lhe três  quartos da Via,
e  nunca  conte-lhe  o resto.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo-segundo koan do Portal Sem Porta

Caso  32: Um “pagão” pergunta a Buda

Um "pagão"  perguntou a Buda,  "Com  palavras,  com  silêncio,  você  me contará (a Via)?"  Buda continuou  meditando  em silêncio. O  "pagão"  curvou-se e  agradeceu  ao  Buda,  dizendo,  "Com  compaixão você afastou as nuvens  da minha mente e  me fez  entrar  no  despertar."  Depois que ele  saiu, Ananda  perguntou ao  Buda  o que ele  havia  atingido.  O Buda disse,  "Um bom cavalo  corre  até mesmo  com a sombra  do chicote."

Comentários de  Mumon:
Ananda  era  discípulo  de Buda, mas  seu  entendimento  não era como o do daquele pagão .  Agora  me diga, "Quão distantes estão o discípulo  e o não-discípulo?"

Pisando  no  fio afiado  de uma espada,
Correndo  sobre  gelo pontiagudo.
Não  subindo na  escada,
Soltando as mãos diante do precipício.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo-primeiro koan do Portal Sem Porta

Caso  31:  Joshu  investiga uma velha senhora

Um  monge viajante  perguntou a  uma  velha senhora o caminho para Taizan.  A  velha senhora  disse: "Vá reto  em frente."  Quando o  monge  tinha dado uns poucos passos,  ela  disse a  si mesma: "Este  monge  com  esse espírito  também  se apaga  assim!"  Posteriormente,  um outro  monge contou a Joshu  sobre isso,  e  Joshu  disse: "Esperem  até que eu  vá  investigar  essa velha senhora."  No dia de folga  seguinte, Joshu  foi  e  fez a mesma pergunta  e a  velha senhora deu  a mesma resposta.  Em seu retorno,  Joshu  disse à  congregação  de  monges: "Eu  investiguei  a velha senhora de  Taizan".

Comentários de Mumon:
A  velha  senhora sentou-se na  tenda e  planejou a  campanha, mas  ela não sabia  que existia  o  famoso  bandido  que sabia  como  tomar o  comandante  inimigo como prisioneiro.  O velho Joshu entrou furtivamente  em sua  tenda  e  ameaçou  sua  fortaleza, mas ele  não  era  um  general de verdade.  De fato  ambos tinham  seus defeitos.  Agora  eu gostaria  de  lhes perguntar:  "Qual  foi  o  objetivo de  Joshu investigar  a  velha senhora?"

A  pergunta  foi a mesma,
A  resposta  foi a  mesma.
Areia  no  arroz,
Espinhos  na lama.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O trigésimo koan do Portal Sem Porta

Caso 30:  A própria mente de Baso

Daibai perguntou a Baso, “O que é o Buda?"
Baso respondeu, "A mente é o Buda."

Comentários de Mumon:
Se você entender completamente o Baso quer dizer, você está vestindo as roupas de Buda, comendo a comida de Buda, falando as palavras de Buda, fazendo ações de Buda, ou seja, você é o próprio Buda.  Mas Baso não enganou somente algumas pessoas sobre os princípios do Zen.  Ele não percebe que se explicarmos a palavra "Buda" devemos lavar nossas bocas por três dias.  Uma pessoa de  compreensão taparia os ouvidos e fugiria ao ouvir Baso dizer: "A mente é o Buda!"

Sob o céu azul, à luz do sol brilhante,
Não há necessidade de busca,
Perguntando por aí o que é Buda,
É mendigar pelo que se tem.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O vigésimo-nono koan do Portal Sem Porta

Caso 29:  A bandeira de Eno

O  vento  estava agitando  uma  bandeira  do templo,  e  dois  monges  estavam discutindo sobre  a  bandeira.  Um deles disse,  "A bandeira está se movendo."  O outro disse,  "O vento está se movendo."  Eles não conseguiam concordar, não  importa  o quão  duramente  eles  debatiam.  O sexto patriarca,  Eno, aconteceu de passar por ali e disse: "Nem  o vento, nem  a bandeira.  É a  mente  que está  se movendo!"  Os dois monges  ficaram tomados de admiração.

Comentários de Mumon:
Não  é  o  vento  que  se move, não  é  a  bandeira  que  se move, não  é a  mente  que se move.  Como  deveremos  entender  o  sexto patriarca?  Se você  conquistar  uma  compreensão  íntima  do seu significado,  você  verá como  os dois  monges, com a intenção de  comprar ferro,  ganharam ouro.  O  patriarca  não pôde  reprimir  sua compaixão pelos  dois monges,  e por isso  temos  essa  cena lamentável.

Vento, bandeira,  e mente  se movem,
Todos  confirmados  como  culpados  de  erro.
Somente sabemos  que nossa boca  está aberta,
Não  sabemos  que nossa  fala  deu errado.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O vigésimo-oitavo koan do Portal Sem Porta

Caso 28: A vela de Ryutan

Uma noite Tokusan foi a Ryutan para pedir seu ensinamento. Depois de muitas perguntas de Tokusan, Ryutan disse a Tokusan por fim, "É tarde. Por que não se retira?" Então Tokusan fez uma reverência, levantou a tela e estava pronto para sair, observando: "Está muito escuro fora." Ryutan acendeu uma vela e a ofereceu a Tokusan.  Justo quando Tokusan a recebeu, Ryutan a apagou. Naquele momento, a mente de Tokusan foi aberta.  "O que você percebeu?", perguntou Ryutan a Tokusan, que respondeu: "De agora em diante não vou duvidar do que você disse."
No dia seguinte, Ryutan subiu à tribuna e declarou aos monges: "Entre vocês há um monge cujos dentes são como a árvore de espada, sua boca é como uma tigela de sangue. Golpeie-o com um bastão, ele não girará a cabeça para  olhar para você. Algum dia ele escalará os picos mais altos e levará meu ensinamento até lá."
Naquele dia, em frente à sala de palestra, Tokusan queimou seus comentários sobre os sutras até virar cinzas e declarou: "Em comparação com esta consciência, todos os ensinamentos mais profundos são como um único fio de cabelo no vasto espaço. Por mais profundo que seja o conhecimento complexo do mundo, comparado a esta iluminação é como uma gota d'água no oceano." Em seguida ele deixou o mosteiro.

Comentários de Mumon:
Antes de Tokusan passar pela barreira, sua mente estava ávida, sua boca estava ansiosa, com um propósito em sua mente, ele foi para o sul, para refutar a doutrina de "Uma transmissão especial fora das sutras."  Quando ele chegou à estrada para Reishu (perto do mosteiro de Ryutan), ele pediu a uma velha senhora para deixar-lhe ingerir algo para "refrescar sua mente" (literalmente, um lanche, algo para colocar a mente à vontade, ao mesmo tempo). A velha senhora perguntou a Tokusan: "O que é toda essa escritura que você está carregando?"  Tokusan respondeu, "Isso é o manuscrito de minhas notas e comentários ao Sutra do Diamante".  Então a velha senhora disse: "Esse Sutra diz, a mente do passado não pode ser agarrada, a mente do presente não pode ser agarrada, a mente do futuro não pode ser agarrada. Todas elas são meramente irreais e ilusórias. Você deseja comer algo leve. Bem, então , com qual de suas mentes você quer o refrigério?"  Tokusan se achou bastante idiota.  Finalmente, ele perguntou à mulher: "Você conhece algum mestre Zen por aqui?"  "A cerca de cinco li [Li: medida chinesa, ou milha chinesa, antigamente equivalente a 500 metros] daqui vive Ryutan", disse ela.  Tokusan chegou ao mosteiro de Ryutan com toda a humildade, bem diferente de quando ele tinha começado sua jornada.  Ryutan por sua vez foi tão bondoso que ele esqueceu sua própria dignidade.  Foi como jogar água enlameada em um homem embriagado para deixar ele sóbrio. Afinal, foi uma comédia desnecessária.

Ao invés de ouvir o nome, ver o rosto é melhor,
Ao invés de ver o rosto, ouvir o nome é melhor.
Mas o quanto você ajuda as narinas,
Olha o que você fez aos olhos!

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O vigésimo-sétimo koan do Portal Sem Porta

Caso 27: Não mente, não Buda de Nansen

Um monge perguntou a Nansen: "Existe algum ensinamento que nenhum mestre pregou antes?"
Nansen respondeu, "Sim, há." "O que é?", perguntou o monge.  Nansen respondeu, "É não mente, não Buda,  não coisas."

Comentários de Mumon:
Sendo feito uma pergunta, Nansen entregou todo o seu  tesouro (palavras) e sofreu uma maré de azar.

Nansen era muito gentil e perdeu seu tesouro,
Na verdade, as palavras não têm poder.
Mesmo que uma montanha possa tornar-se um oceano azul,
Nansen nunca vai torná-lo compreensível para você.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

domingo, 15 de maio de 2011

Vigésimo-sexto koan do Portal Sem Porta

Caso 26:  Dois monges  enrolam as persianas

Hogen  de  Seiryo  veio à sala  para falar  aos monges  antes da  refeição  do meio-dia.  Ele apontou com  o  dedo  para  as cortinas  de bambu.  Neste  momento,  dois  monges  levantaram-se e enrolaram as  cortinas.  Hogen  observou: "Um entendeu,  o outro  não."

Comentários  de Mumon:
Agora  me diga,  qual deles entendeu e  qual não?  Se  qualquer  um de  vocês tem  um olho, verá através  da  falha de  Hogen  de Seiryo.  No entanto,  nunca  se preocupe  com  o ganho  ou  a perda.

Quando as cortinas estão  enroladas,  o  grande céu  fica brilhante e claro,
O  grande céu  ainda não está  de acordo  com  o Zen.
É  melhor  jogar tudo  fora  do céu,
E  certifique-se  de não ter sequer uma corrente de vento soprando.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O vigésimo-quinto koan do Portal Sem Porta

Caso 25: O sermão de Kyozan do terceiro assento

Em um sonho,  Kyozan foi à Terra Pura de  Maitreya  e sentou-se no terceiro assento. Um  monge lá bateu  o martelo  e disse: "Hoje  aquele que está  no terceiro assento  dará  um sermão."  Kyozan  se levantou,  bateu  o martelo  e disse:  "A verdade  do  Mahayana  está além  de qualquer expressão  verbal! Ouça,  ouça!"

Comentários de  Mumon:

Você  me diga, Kyozan  pregou,  ou  não?  Se  ele abre  a boca, ele  está  perdido.  Se  ele  sela  sua boca,  ele  está perdido,  também. Se  ele  abre  ou sela a boca, Kyozan  está a 108  mil milhas de distância da verdade.

Em  plena luz do dia,
E  no entanto em um  sonho  ele  fala  de um sonho.
De fato uma palavra  possuída,  uma  palavra possuída,
Ele  está  enganando  toda a multidão.

O vigésimo-quarto koan do Portal Sem Porta

Caso 24: O silêncio e as palavras de Fuketsu

Um monge perguntou a Fuketsu, "Sem palavras ou sem transgredir o silêncio, como alguém pode ser inequivocamente um com o  universo?"
Fuketsu disse, "Penso com frequência em Março em Konan (no sul da China).  Os pássaros cantam entre centenas de flores fragrantes."

Comentários de Mumon:
A mente de Fuketsu era rápida como um relâmpago, pegando a estrada e caminhando nela.  Lamentavelmente Fuketsu não era capaz de  repousar sobre as palavras dos "antepassados".  Se alguém penetrasse nisso, ele estaria absolutamente livre. Sem palavras, sem frases, agora diga o que é o Zen.

Fuketsu não disse uma frase tão fina,
Sem pronunciar palavras, ele já tinha deixado claro.
Se Fuketsu tivesse se tornado loquaz,
Você não saberia o que fazer.

sábado, 14 de maio de 2011

O vigésimo-terceiro koan do Portal Sem Porta

Caso 23:  O bem e o mal de Eno

Eno,  o  Sexto Patriarca  do C'han  (Zen) chinês, foi perseguido pelo  Monge  Emyo  até  Daiyurei.  O  patriarca,  vendo  Emyo  chegando, colocou o  manto  e a  tigela  sobre uma  rocha, e  disse-lhe:  "Este manto  representa  a  fé. Será que é para  ser  disputado à força? Você  pode  levá-los  agora."  Emyo  foi   mover  a  tigela  e o manto  e  eles no entanto eles estavam tão  pesados  quanto montanhas.  Ele não conseguia  movê-los.  Hesitante  e tremendo,  Emyo  perguntou ao  patriarca, "Eu venho pelo ensino, não pelo manto.  Por favor, me ilumine!"  O  patriarca  disse,  "O que  é  primordialmente  Emyo (isto é,  seu verdadeiro eu),  se você  não  acha que isso  é  bom  ou você acha que  isso é ruim?"  Naquele  momento  Emyo  foi  muito despertado.  Seu corpo inteiro  ficou  coberto  de suor.  Emyo chorou,  inclinou-se e  disse: "Há  ou  não  há  nenhum  significado (profundo)  outro (no Zen)  do que suas palavras  e ensinamentos secretos  de um minuto  atrás?"  O  patriarca  respondeu, "O que  eu lhe disse não é  nenhum segredo.  Uma vez que você tiver realizado  seu verdadeiro eu,  a profundidade  (no Zen) muito pertence a  você!"  Emyo  disse: "Quando eu  estava em Obai  com  os  outros monges, nunca  tinha percebio o que  era  o meu  verdadeiro eu.  Agora você  dispersou  as nuvens  da minha  ignorância  para realizá-lo, justo como  um homem  capaz de discernir  o quente  e  o frio provando água.  De agora em diante,  você é  meu  professor! " O  patriarca  disse, "Ambos temos  Obai  como nosso  professor. Guarde seu próprio  eu!"

Comentários de  Mumon:
Devemos  dizer  que  o  sexto patriarca  estava  em  uma emergência. Esta  sua revelação,  no entanto,  assemelha-se  à ação de uma  avó  super-protetora,  que  descascou  um  lichi  fresco  (uma fruta de sobremesa), retirou seu caroço  e  coloco-o  à boca de seu neto pronto para que ele o  engolisse.

Você o descreve  em  vão,  você o imagina para nada,
Elogiá-lo  é  inútil, deixe de  se preocupar  com  ele em absoluto.
É  o seu  verdadeiro  eu,  que  não tem onde  se esconder,
Mesmo  se  o  universo for aniquilado, ele não  é  destruído.

O vigésimo-segundo koan do Portal Sem Porta

Caso 22: O mastro da bandeira de Kashapa

Ananda  perguntou a  Maha  Kashapa,  “Buda deu-lhe o  manto de tecido  dourado  da  sucessão. O que mais  ele  lhe deu?"
Kashapa  disse, "Ananda!"
"Sim!"  Ananda  respondeu.
"Derrube  o  mastro  da bandeira no  portão!", disse Kashapa.

Comentários de  Mumon:
Se você puder  dar  uma "palavra de mutação"  (uma  palavra signifcativa para  o despertar), você  verá  a  reunião  no Monte  Grdhrahuta ainda  em sessão.  Se  não,  não  importa  o quanto você  se esforce para  estudar  desde a era  de  Vipasyin, você não consegue  alcançar a iluminação.

Como  é  a pergunta de Ananda, comparada  à  resposta  de coração de Kashapa?
Quantas pessoas  abriram os olhos desde então?
O irmão mais velho  chama e o irmão mais novo responde -  a desgraça  da família.
Esta  primavera  não pertence  a Yin  e  Yang.

***

Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O vigésimo-primeiro koan do Portal Sem Porta

Caso 21: O esterco seco de Ummon

Um monge perguntou a Ummon, "O que é Buda?" Ummon respondeu-lhe:  "Esterco seco."

Comentários de Mumon:
Devemos dizer que por ser tão pobre, Ummon não consegue apreciar comida simples, ou ele está tão ocupado que não pode nem rabiscar corretamente.  Ele está disposto a apoiar sua escola com esterco seco. Veja como foi devastado o ensinamento budista!

Relâmpagos,
Faíscas de sílex batendo.
Num piscar de seus olhos,
Você passou (e perdeu).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O vigésimo koan do Portal Sem Porta

Caso 20: O homem forte de Shogen

Shogen  disse, "Por que  é  que um homem  de  força não  consegue levantar suas próprias pernas  e ficar em pé  (pelo  Zen)?"  E novamente, "Não  é  com  a nossa  língua  que falamos."

Comentários  de Mumon:
Shogen  disse  isso virando  seu  coração  ao avesso,  e ninguém  estava lá  para  recebê-lo.  Se  alguém  puder compreender Shogen,  então vem a mim  e  receba  meus golpes.  Para conhecer o  ouro  genuíno, você  deve  vê-lo  através do fogo.

Levantando  meu  pé  eu  viro de cabeça para  baixo  o Oceano Perfumado,
Curvando minha  cabeça  eu me abaixo para olhar os Céus das Quatro Dhyana (Meditações).
Um corpo de tamanha  força não tem  lugar  para repouso,
Por favor termine  este  verso  você mesmo!

O décimo-nono koan do Portal Sem Porta

Caso 19:  A mente comum de Nansen

Joshu perguntou a Nansen: "O que é a Via?" Nansen respondeu:  "Sua mente ordinária -- essa é a Via." Joshu disse, "Ela pode ser apreendida (para estudo)?" Nansen respondeu,"Quanto mais você a buscar, tanto mais ela vai escapar." Joshu perguntou uma vez mais, "Como você pode saber que é a Via?"  Nansen respondeu, "A Via não pertence ao conhecimento, nem pertence ao não conhecimento.  Conhecimento é ilusão. Não conhecimento está além de discriminação.  Quando você chegar a essa Via sem dúvida, você está livre como a vastidão do espaço, um vazio insondável, então como você pode explicá-lo através de sim ou  não?" Ao ouvir isso, Joshu foi despertado.

Comentário de Mumon:
A pergunta que Joshu fez a Nansen foi dissolvida por um golpe. Após ser iluminado, Joshu teve que continuar sua busca por mais 30 anos para esgotar esse significado.

Uma centena de flores na primavera, a lua no outono,
O vento fresco no verão e neve do inverno.
Se sua mente não estiver nublada com coisas,
Você é feliz em qualquer tempo.

O décimo-oitavo koan do Portal Sem Porta

Caso 18:  As três libras de linho de Tozan

Um monge perguntou a Tozan, "O que é o Buda?"
Tozan respondeu, "Três libras de linho!"

Comentário de Mumon:
O Zen de Tozan é como uma ostra.  Quando as duas metades da concha se abrem, você pode ver o interior todo.  No entanto, agora diga-me, "O que são os reais interiores de Tozan?"

Apenas "Três libras de linho!"  aparece,
Suas palavras estão perto, e no entanto seu coração está mais perto.
Qualquer um que explique isso ou aquilo, sim e não,
é ele próprio o homem de sim e não.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O décimo-sétimo koan do Portal Sem Porta

Caso 17: Os três chamados de Echu

Echu, chamado  Kokushi, o  professor  do imperador, chamado seu assistente,  Oshin, três  vezes  e três  vezes  Oshin  respondeu: "Sim!" Kokushi  disse, "Eu  pensei  que  tinha  lhe ofendido,  mas  na realidade  você ofendeu a mim!"

Comentário  de Mumon:
Kokushi  chamou Oshin  três vezes.  Sua língua caiu no  chão  (por falar  demais).  Oshin  respondeu  três vezes  e  revelou  sua  harmonia com  o  Tao.  Echu, ficando  velho  e  solitário,  tentou  até mesmo  segurar a cabeça  da  vaca baixa  para alimentar-se da  relva.  Oshin não se preocupou  em  mostrar seu  Zen,  pois seu  estômago satisfeito  não tinha desejo de  comer.  Quando a  nação  é próspera, todo mundo  está orgulhoso  demais (para comer  comida  normal),  agora apenas diga quem  ofendeu quem?

Quando  a canga  da prisão  é  de ferro  e   não tem nenhum  buraco,
Os seguidores (de Echu) não  tem  paz nem  descanso.
Quando você  pretende manter o ensino  do  Zen,
Você  deve  escalar uma  montanha  de  espadas  com os pés descalços.

***

Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.

O décimo-sexto koan do Portal Sem Porta

Caso 16: O manto de sete dobras de Ummon

Ummon  disse: "O  mundo  é  vasto  e  amplo;  para  que é que você coloca seu  manto de  sete  peças  ao som  do  sino?"

Comentário de Mumon:
Quando  se medita  e  estuda  Zen, extingue-se  o  apego  ao  som  e à cor.  Mesmo  que alguns  tenham  atingido  a iluminação  ao  ouvir  um som,  ou  um  despertar vendo  uma  cor, essas  questões são comuns.  Aqueles que  pretendem  dominar  o Zen livremente dominan sons ou cores,  veem claramente  a natureza das  coisas  e toda atividade  da mente.  Mesmo que  isso seja assim, agora diga-me: o  som vem ao ouvido,  ou  o  ouvidoo vai ao som?  Mas  quando  tanto o som quanto o  silêncio  são  esquecidos, como você  chamaria esse estado?  Se você  ouvir  com  seu ouvido,  é difícil ouvir  verdadeiramente,  mas se  você  ouvir  com  seu  olho,  então você começa a  ouvir bem.

Se  você  está  desperto,  todas  as coisas são  uma  e a mesma coisa,
Se você  não  está  desperto,  todas  as coisas  são variadas  e distintas.
Se você  não  está  desperto,  todas as coisas são  uma  e a mesma coisa,
Se  você  está desperto,  todas as  coisas  são variadas  e distintas.

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Estas traduções foram feitas a partir da versão em inglês, encontrada nesta página.